‘Olhe para seu lixo’: as estratégias de quem tenta reduzir ao máximo a produção de resíduos no dia a dia

Palavras-chave são reduzir, reutilizar e reciclar. Primeiro passo para começar mudança é observar o que você joga fora todos os dias.

O que você joga fora todos os dias? Se não sabe, descobrir essa resposta pode ser a melhor forma de mudar os hábitos e reduzir o lixo de casa. O G1 entrevistou quem já tem essa consciência para mostrar medidas práticas em busca de um mundo mais limpo e sustentável.

A designer Cristal Muniz passou a se interessar mais pelo assunto – sempre tentou ser cuidadosa com o próprio lixo – quando conheceu o blog de uma garota de Nova York, a Lauren. Ela resolveu criar os seus próprios posts e, então, em 2014, nasceu o “Um ano sem lixo”.

“Achei sensacional porque eram várias dicas muito práticas e simples. E eram coisas para fazer num mundo urbano, não eram coisas tipo: plante a comida que você vai comer, porque é muito difícil para as pessoas conseguirem executar no dia a dia”.

Desde então, ela usou dicas da Lauren, adaptou e criou suas próprias invenções. Para Cristal, o início está em olhar para o próprio lixo:

“A primeira coisa é olhar que tipo de resíduo eu produzo. Acho que a principal coisa que a gente pode fazer é separar, com certeza, porque é o básico, mas nessa separação de lixo a gente geralmente vê que a quantidade de resíduo que vai pra reciclagem é menor do que a que não vai. Então, que tipo de resíduo é esse que não vai pra reciclagem? Tem absorvente, fralda de descartável, algumas embalagens de alimento”.

Segundo ela, depois de estabelecer esse conhecimento sobre o lixo não reciclável que produzimos, é hora de traçar estratégias para a redução. As mais conhecidas são:

  • Absorvente? Melhor usar coletor menstrual.
  • Fralda descartável? Existem os panos, mas novos modelos reutilizáveis já foram criados e são vendidos na internet.
  • Copos, garfos, facas… de plástico? Não dá, né?!
  • Canudo? Com a proibição no Rio, muitas marcas passaram a vender versões metálicas laváveis e reutilizáveis.
  • Sacola de supermercado? Melhor levar sua bag ecológica para as compras.
  • Escova de dente… de bamboo! Sim, a haste de plástico também acaba no fundo do mar.
  • Evite comprar qualquer material que seja descartável.
  • Faça compostagem – o G1 tem uma matéria com um vídeo especialsobre o assunto.
  • No fim desta reportagem, há um ‘miniguia’ para você começar o seu desafio do lixo.

Essas e outras dicas são as mais conhecidas. A Cristal levou realmente a sério: além da redução, ela queria mesmo era chegar o mais perto possível do lixo zero. Inclusive, na tentativa de diminuir ao máximo a produção, chegou a um dilema brasileiro: o que eu faço com o meu papel higiênico?

“Eu não conseguia entender porque nenhuma das blogueiras [de fora] falavam sobre papel higiênico. Até sacar que elas moram em países em que o papel vai na descarga. Então, não é uma questão por lá. Elas não precisam pensar sobre esse lixo. Mas a gente aqui no Brasil não pode fazer isso [jogar o papel na privada], porque o nosso sistema de esgoto não dá conta, nosso papel não é feito para ser mandado embora no vaso”.

O que fez a Cristal? Instalou uma duchinha de privada. Recortou uns paninhos e passou a usar apenas para se secar.

Ela também criou uma receita que substitui vários dos produtos de limpeza da casa: sabão em pó, detergente, amaciante, sabão, desinfetante. Cada um dos produtos que você compra tem uma embalagem – e ela vai para lixo.

Consumo consciente

Fernanda Daltro, especialista em resíduos da ONU meio ambiente, encabeça a campanha Mares Limpos – durante os próximos cinco anos, ela promoverá ações para conter a maré de plásticos que invade os oceanos. Ela também fala que o início de uma mudança de comportamento está ligada a observar o próprio lixo.

“Qualquer coisa que você faça em matéria se separação dos resíduos sólidos domésticos é relevante. Qualquer coisa. Se você começa a prestar atenção no plástico, você começa a prestar a atenção na quantidade de embalagens que você compra, você vê se está misturando com o resíduo orgânico, e outras coisas”, disse.

“Quanto mais pensamento de redução na geração do lixo a pessoa tiver em casa, melhor será”.

Fernanda fala que existe um tipo de lixo que muitas vezes não lembramos. Ficar na fila no lançamento de celular novo pode ser moderno (e bastante caro, na maior parte das vezes), mas não é sustentável. Além das medidas de redução do lixo, é importante refletir sobre os hábitos de consumo – celular, notebooks, roupas. O importante é usar até realmente estragar.

“No comprometimento de buscar o lixo zero, não significa que eu não gero lixo. Isso significa que eu mando o mínimo possível no sistema. É tentar desafogar o sistema como um todo”.

Mini guia mostra como começar a agir e reduzir a produção de lixo — Foto: Alexandre Mauro/G1

Mini guia mostra como começar a agir e reduzir a produção de lixo — Foto: Alexandre Mauro/G1

Fonte: www.g1.com.br

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