Vento alcança segundo lugar na matriz elétrica do Brasil

O crescimento vertiginoso da energia eólica no Brasil foi responsável pela quebra de um recorde importante no mês passado.

A força do vento ultrapassou em capacidade instalada a hidrelétrica de Itaipu, alcançando a vice-liderança no ranking da matriz elétrica do país, atrás apenas da hidroeletricidade. A informação obtida em primeira mão pelo blog leva em conta os dados apurados pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABBEólica) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Em números, apesar da eólica ser uma fonte intermitente de energia (a geração oscila de acordo com a dinâmica dos ventos) os mais de 7 mil aerogeradores espalhados pelo país em 601 parques eólicos somaram em abril 15 GW de capacidade instalada, superando os 14 GW da Itaipu, a segunda maior hidrelétrica do mundo, atrás apenas de Três Gargantas, na China (18 GW).

Para ilustrar a nova posição do vento na matriz elétrica do Brasil, a Associação Brasileira de Energia Eólica produziu o gráfico abaixo onde se vê a contribuição de cada fonte de energia separada por fonte primária, ou seja, de acordo com o recurso utilizado para a geração. Normalmente esse cálculo da matriz elétrica reúne em um só grupo todas as diferentes fontes de combustível fóssil (petróleo, carvão mineral e gás natural). Quando se dividem essas fontes, a energia eólica se destaca.

A hidroeletricidade lidera o ranking com 63,9% do total (104,5 GW), seguido do vento com 15,1 GW (9,2%), biomassa com 14,8% (9 GW), gás natural com 13,4 GW (8,1%), petróleo com 9,9 GW (5,4%), carvão mineral com 3,3 GW (2%), solar com 2,1 GW (1,3%) e nuclear com 2 GW (1,2%).

Matriz Elétrica Brasileira (%)
Hidrelétrica: 63,7Eólica: 9,2Biomassa: 9Gás Natural: 8,1Petróleo: 5,4Carvão mineral: 2Fotovoltaica: 1,3Nuclear: 1,2

“Se considerarmos que a energia eólica tinha cerca de 1 GW instalado em 2011, é um feito realmente impressionante chegarmos a ocupar este lugar de destaque na matriz elétrica”, disse Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEólica.

Uma caprichosa combinação de ventos regulares com um modelo inovador de contratação de projetos por leilão (quando o governo prioriza os preços mais baixos pela maior oferta de energia) explica o sucesso da energia eólica no Brasil.

Além disso, a exuberância dos ventos na região Nordeste (que concentra 86% de toda a energia eólica produzida no país) turbina os investimentos no setor. O blog já ouviu de diferentes investidores estrangeiros a mesma explicação sobre o diferencial do litoral nordestino quando o assunto é energia eólica: “É o melhor vento do mundo!”. A diferença está no chamado fator de capacidade, que é o percentual médio de produção efetiva obtido pela conversão do vento em energia. Enquanto no mundo o fato de capacidade está em 25%, no Brasil esse índice chegou no ano passado a 42%. No Nordeste, em plena safra de vento que vai de junho a novembro, o fator de capacidade chega a ultrapassar os 80%. Isso explica a predominância dos parques eólicos na região.

Energia Eólica no Brasil

Estado Potência (MW) Nº de parques
RN 4.066,15 151
BA 3.934,99 153
CE 2.045,46 79
RS 1.831,87 80
PI 1.638,10 60
PE 781,99 34
MA 328,80 12
SC 238,50 14
PB 157,20 15
SE 34,50 1
RJ 28,05 1
PE 2,50 1
TOTAL 15.088,10 601

Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o vento respondeu no ano passado por 8,6% de toda a geração de energia do país injetada no Sistema Interligado Nacional, um crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior. Em termos de equivalência, essa energia seria suficiente para abastecer 25,5 milhões de residências ou 80 milhões de pessoas. A expansão do setor – garantida pelos contratos já assinados em leilões anteriores – projeta um cenário de 19,7 GW de capacidade instalada para 2023, superando a hidrelétrica de Três Gargantas, na China, a maior do mundo.

Note-se que o Brasil ainda nem se aventurou na exploração da energia eólica no mar, onde o fator de capacidade é muito superior ao que se obtém em terra firme. Os investimentos em parques eólicos offshore se multiplicam rapidamente pelos mares do mundo com a liderança da Grã-Bretanha, seguida da Alemanha, China, Dinamarca e Holanda. O Brasil ainda não regulou esse mercado promissor, com gigantesco potencial de investimentos produção em energia limpa e renovável. Quando isso acontecer, os gringos provavelmente terão uma nova definição para o “melhor vento do mundo”.

Fonte: https://g1.globo.com/natureza/blog/andre-trigueiro

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