‘Tem muito espaço para piorar a situação’, alerta biólogo sobre esgoto no Guandu

Sobrevoo realizado revela água preta e lago coberto de algas perto da estação de captação.

O biólogo Mario Moscatelli afirmou no dia 16 de janeiro que a situação na Estação de Tratamento do Guandu “tem muito espaço para piorar”. “É uma tragédia anunciada, meticulosamente preparada nos últimos 20 anos”, destacou.

Moscatelli embarcou no Globocop e sobrevoou o complexo da Cedae, onde apontou manchas escuras, causadas por esgoto, e um tapete de algas num afluente do Guandu.

Há 15 dias, moradores de diferentes partes da Região Metropolitana do Rio relatam que a água encanada da Cedae chega com cheiro e gosto de terra, quando não turva.

Lago coberto de algas a poucos metros da captação de água do Guandu pela Cedae — Foto: Reprodução/TV GloboLago coberto de algas a poucos metros da captação de água do Guandu pela Cedae — Foto: Reprodução/TV Globo

São as algas, segundo Moscatelli, que produzem a geosmina – substância que altera a água. A Cedae afirma que o produto que chega às casas não oferece riscos à saúde.

Na quarta-feira (15), fiscais do Procon percorreram lojas em vários pontos do Rio e da Baixada Fluminense e constataram aumento de mais de 40% no preço dos galões de água.

Rios viraram valões

“Esse esgoto alimenta o desequilíbrio que aumenta a proliferação de micro-organismos. A geosmina é a ponta do iceberg da falta de saneamento”, destacou.

 Mancha verde se mistura à água barrenta do Guandu — Foto: Reprodução/TV GloboMancha verde se mistura à água barrenta do Guandu — Foto: Reprodução/TV Globo

Pedido de desculpas

No dia 15 de janeiro, o presidente da Cedae, Hélio Cabral, pediu desculpas à população pelo que chamou de “transtornos”.

“No Guandu, na semana que vem, com certeza a gente tem água saindo sem geosmina”, destacou.

A limpeza extra será feita por carvão ativado. O material, em forma de partículas, funciona como um ímã que atrai as moléculas da geosmina.

No entanto, os reservatórios residenciais de mais seis mil litros podem ficar por “bastante tempo” com geosmina.

“Na hora que a água sai do Guandu, em menos de 24 horas os reservatórios vão ter sua água trocada. Se a água está suja, num reservatório de seis mil litros, vai ficar por bastante tempo”, explicou.

‘Quebra-galho’

Moscatelli ressaltou, no entanto, que o carvão ativado é um “quebra-galho”.

“Estamos agindo em cima das consequências. O que se precisa saber da Cedae é onde está o projeto que em 2008 iria resolver o lançamento de esgoto no ponto de captação, que é a causa.”

Maior crise ambiental do RJ

O professor da UFRJ Isaac Volschan já tinha alertado para a poluição dos rios que chegam na Estação de Tratamento do Guandu.

“A crise que se instaurou na Região Metropolitana neste verão é um importante e gravíssimo indicador das condições ambientais da bacia hidrográfica do Guandu, que é o nosso manancial para o atendimento de uma população de 9 milhões de habitantes”, comentou Volschan.

“Estamos falando, sem sombra de dúvidas, do maior problema ambiental do estado do RJ e um dos maiores do Brasil. Medidas de controle de poluição por esgoto sanitário nesta bacia são prioritárias”, completou.

Fonte: www.g1.com.br

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

20 − 6 =