Recorde de lixo recolhido no Pacífico: 103 toneladas de redes de pesca e plástico de todo tipo

O Instituto Ocean Voyages bateu o recorde de maior limpeza do Oceano Pacífico. Foram removidas 103 toneladas de plástico.

Após uma expedição de 48 dias, o navio que recolhe plástico marinho do Ocean Voyages Institute, atracou no porto de Honolulu, Havaí, no dia 23 de junho. O navio estava carregado com 103 toneladas de rede de pesca e plásticos de consumo todos recolhidas da Great Pacific Garbage Patch (Gyre).

Com isso, o Ocean Voyages Institute conseguiu bater seu próprio recorde de limpeza dos oceanos. A fundadora do instituto, Mary Crowley, disse estar orgulhosa da equipe mas reforçou que os oceanos não podem mais esperar por essa limpeza. Ou seja é um recorde paradoxal. Por um lado bom por ter recolhido tanto lixo, mas por outro triste por haver tanto plástico nos mares.

As redes e detritos que se acumulam nos oceanos, transformam-se em microplásticos que poluem toda a cadeia marítima – chegando inclusive a nós, através do consumo de sal e peixe – e causa a morte de diversos animais, além de prejudicar a capacidade do oceano de armazenar carbono e prover a teia de alimentos necessária para sobrevivência marítima.

Mary Crowley é conhecida por desenvolver métodos eficazes de remoção de plásticos do oceano, como por exemplo o “Ghost Net Buster”. Com ele, a equipe conseguiu remover 48 toneladas de plásticos tóxicos em 2019, uma no Gyre e outra ao redor das ilhas havaianas.

Além disso, o instituto também se baseia pela análise de satélites GPS rastreadores de redes. Segundo Crowley, o oceano classifica os detritos para que uma rede de pesca marcada possa levar a outras redes e a uma densidade de detritos, num raio de 15 milhas.

Plastic Paradise

O Gyre fica localizado entre o Havaí e a Califórnia e é a maior área com plásticos dentre os cinco principais oceanos do mundo. Por mais de uma década, o Ocean Voyages Institute é líder em pesquisas e limpeza dos oceanos, principalmente nessa região.

Enquanto o navio S/V KWAI estava ancorado no Pier 29, Honolulu, a equipe preparava o descarte adequado dos resíduos recolhidos. O projeto tem o apoio da Matson que, segundo Matt Cox, CEO da empresa, eles têm um compromisso com a administração ambiental e procuram envolver-se na limpeza do Pacífico.

A expedição do Ocean Voyages Institute começou no dia 4 de maio de 2020, no porto havaiano de Hilo e, mesmo num período de quarentena por causa da Covid-19, conseguiu garantir a saúde dos tripulantes durante a missão.

A tripulação do navio S/V KWAI coletou poluição plástica marinha com a ajuda de rastreadores de satélite GPS projetados pelo engenheiro Andy Sybrandy, da Pacific Gyre, Inc. Os faróis são colocados nas redes por iates voluntários e navios.

Além disso, drones e vigias de mastro orientam a tripulação nos escombros, fazendo com que eles consigam recolher o lixo, o qual é colocado em sacos industriais e armazenados no compartimento do navio. Ao final da viagem, o material recolhido passa por uma triagem e é encaminhado para a reciclagem adequada.

O capitão do navio S/V KWAI, Brad Ives e a Ocean Voyages Institute estavam organizando uma segunda viagem para o final de junho, com o intuito de continuarem a limpeza no Gyre. A duração dessa viagem dependerá das doações que o instituto deverá conseguir.

Para o próximo ano, a pretensão de Crowley é conseguir mais navios para continuar operando no Pacífico Norte por três meses e, futuramente, expandir para outras partes do mundo.

No ofício do próprio Ocean Voyages Institute, Crowley idealiza:

“Não há dúvidas que nosso trabalho está tornando os oceanos mais saudáveis para o planeta e mais seguros para a vida selvagem marinha, pois essas redes nunca mais se envolverão ou prejudicarão uma baleia, golfinho, tartaruga ou recifes.”

Que assim seja mas, infelizmente o problema do plástico parece ser maior do que todos os mares e oceanos juntos.

E essa praga ainda está aí, circulando livre e abundante entre nós.

Fonte: https://www.greenme.com.br/

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