Comércio local e pequenos produtores em alta na pandemia. Cultive essa moda

Quarentena, isolamento, desemprego, empresas fechando, menos gente consumindo e menos dinheiro circulando. Esse é o cenário global.

A economia foi um dos setores mais afetados pela pandemia no Brasil que já enfrenta recessão. Quarentena, isolamento, desemprego, empresas fechando, menos gente consumindo e menos dinheiro circulando. Esse é o cenário global.

Mesmo diante de um espectro negativo e assustador, algumas boas ideais vêm dando certo e fomentando o comércio justamente de pequenas e médias empresas, e de produtores rurais familiares. Até porque, mais pessoas tiveram que optar por compras online, porque o comércio de rua está fechado, abrindo espaço para os pequenos produtores e comerciantes do bairro, de produção caseira, fomentando aqueles que têm pouca ou nenhuma visibilidade.

Seja por uma questão social, na qual as pessoas estão mais solidárias e conscientes, seja porque estão evitando supermercados lotados, os pequenos negócios locais e o consumo de produtos orgânicos aumentou durante a pandemia.

Já o sistema delivery, sites e redes sociais foram a alternativa utilizada por aqueles que já estavam organizados, mas as vendas eram feitas fisicamente, como em feiras e cooperativas.

Orgânicos e agricultura familiar em alta

Segundo mostrou uma reportagem da revista Época, um comerciante de produtos orgânicos de Paty Dos Alferes, região serrana do Estado do Rio de Janeiro, viu suas vendas aumentarem durante a pandemia e já aumentou o número de cestas de alimentos que costuma entregar na capital diariamente. Ele acredita que o interesse aumentou por causa da quarentena, que forçou pessoas a evitarem de sair para as compras e buscarem outras opções de entrega de alimentos.

Esse comerciante vende os alimentos que são plantados em sua propriedade, bem como de outros produtores rurais vizinhos, todos estão sendo beneficiados com o aumento das vendas e pretendem manter esses novos clientes mesmo com o fim da quarentena.

Outro bom exemplo, vem dos feirantes que já estavam organizados. Com a restrição para realização das feiras livres, uma boa opção foi organizar esses feirantes e produtores rurais, buscando soluções conjuntas para vendas dos alimentos de outra forma, como entrega em domicílio, por exemplo.

A revista Época ouviu Rogério Dias, presidente do Instituto Brasil Orgânico e segundo ele, as entregas em domicílio são ótima opção para quem já tinha uma forma de vendas organizada, como em feiras, e para quem já vendia produtos a pronta entrega.

Em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, os agricultores se destacam nacionalmente pela produção de cogumelos, hortaliças e temperos e já se organizaram para criar uma plataforma de compra e venda online, intitulada Agrigu – Mogi é Agro, que foi projetada pelo Polo Digital. Comerciantes, feirantes, boxistas do Mercado Municipal e outros fornecedores de alimentos frescos serão informados sobre como fazer parte desse “market place”, que irá unir as duas pontas do mercado rural e de produtos alimentícios.

Do estado do Paraná também vem outro bom exemplo, produtores rurais paranaenses têm utilizado a internet como ferramenta para garantir o escoamento da produção durante a pandemia do novo coronavírus.

Sites, redes sociais e aplicativos foram a alternativa usada para manter o escoamento da produção e garantia da renda da agricultura familiar, já que as feiras de rua estão suspensas.

Em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, desde o dia 26 de março, o site Feira Fácil Genial oferece à população o serviço de pedidos e entrega de hortifrútis e outros alimentos de produtores rurais, com grande público interessado e alta nas vendas.

Segundo os feirantes, o site já era um sonho e a pandemia só acelerou a sua realização. Os produtores estão contentes com o resultado.

Em Londrina, o site Compre do Pequeno está ativo há algumas semanas e também mostrou um excelente resultado. Com oferta de produtos caseiros, feitos por produtores da região, itens como pão caseiro, mel, conservas, frutas, verduras e laticínios podem ser solicitados online e entregues na casa do consumidor. No primeiro dia, foram cinco entregas. No terceiro dia de atividade, o site recebeu 150 pedidos.

“Nesse dia, tivemos que pausar o sistema, porque não estávamos conseguindo atender a todos”, conta o criador, Leonardo Nogueira Pianchi, segundo reportagem da Agência de Notícias do governo do Paraná.

A considerar os exemplos apontados, o resultado mostrou-se acima do esperado.

Um fator importante, é que as pessoas estão buscando mais a alimentação orgânica, aliado ao conforto de receber tudo em casa e evitar o supermercado em tempos de pandemia.

Resgate ao passado

O Sebrae mantém em seu site dicas de como os empreendedores podem reagir à crise econômica gerada pela pandemia.

O Sebrae identificou uma tendência que a pandemia trouxe, o ”resgate ao passado”, a nostalgia por objetos simples, aumentando ainda mais o interesse por versões analógicas de produtos, alimentos produzidos de forma caseira ou regionalmente, com processos mais simples e naturais, priorizando a produção na própria comunidade.

Outra dica, é a utilização das redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp, apontadas como ótimas ferramentas para alavancar as vendas, usando como marketing os efeitos da pandemia a favor do seu produto, com motes de propaganda como:

  • “consumo consciente”
  • “incentive o comércio local”
  • “incentive os pequenos empreendedores”
  • “compre do seu vizinho”
  • “compre produtos caseiros” e por aí vai.

Valorização do comércio local (ou quilômetro zero) é a palavra da vez. O Sebrae até lançou a campanha Compre do Pequeno.

Entrega em domicílio também é uma boa ferramenta apontada para não deixar de vender.

Para quem já tinha uma rede de clientes, a migração para o sistema delivery fica mais fácil, mas para aqueles que estão iniciando no mercado, podem utilizar essa excelente ferramenta, porque dispensa os custos de montar um negócio físico e pode servir de teste de clientela e aceitação do produto.

Outras dicas são sobre finanças, protocolos de segurança, retomada de atividades e outros.

Senado avalia projeto para produtores rurais

No Congresso, dois projetos recentemente apresentados estão sendo analisados pelo Senado com incentivo a pequenos produtores rurais durante a pandemia, apontando alternativas para uma maior proteção econômica e social da população do campo.

Um dos projetos trata da ampliação de crédito para os pequenos produtores rurais e outro de determinação que Estados, Distrito Federal e Municípios mantenham a aquisição de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural ou de suas organizações, priorizando assentamentos, comunidades tradicionais indígenas e comunidades quilombolas, como já prevê a Lei 11.947, de 2009, porém essa Lei destinava os alimentos às merendas escolares.

De acordo com o projeto, enquanto as escolas estiverem fechadas, os produtos adquiridos deverão ser distribuídos “às populações carentes, urbanas e rurais, conforme regras a serem definidas pelo Poder Executivo”.

É esperançoso ver a consciência e a solidariedade sendo resgatadas em tempos de crise. Compartilhe essa ideia. Ajude os pequenos a enfrentarem os grandes. Um mundo melhor é possível!

Fonte: https://www.greenme.com.br/

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