Produtos de limpeza liberam mais partículas de poluição que carros, pesquisa afirma

Estudo feito nos Estados Unidos indica que produtos de limpeza afetam diretamente a saúde humana e prejudica o sistema respiratório.

Uma pesquisa realizada na Universidade da Califórnia confirma os perigos dos produtos de limpeza, indicando que as substâncias podem liberar mais partículas poluentes que os aerossóis de carros. A descoberta foi publicada no Science Advances e alerta para o uso de químicos dentro de casa.

As ondas de Covid-19 impulsionaram rotinas de limpeza no mundo todo, promovendo produtos que prometem eliminar a maioria dos micro-organismos testados. E, embora as medidas preventivas sejam necessárias, esses produtos podem causar efeitos adversos em seres humanos, animais e no meio ambiente.

Os desinfetantes, por exemplo, são usados constantemente e oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente, sendo um dos poluentes responsáveis pela poluição química — contaminação do solo, água e ar pelo descarte incorreto de produtos químicos.

De acordo com a pesquisa, esses produtos são responsáveis pela liberação de poluentes químicos dentro de casa tanto na forma gasosa quanto em aerossol. Os químicos podem comprometer a qualidade do ar e se alojar dentro do trato respiratório humano. Durante a fase de testes, pesquisadores perceberam que as concentrações de monoterpenos eram duas vezes maiores em lugares fechados do que do lado de fora.

Os monoterpenos são compostos orgânicos voláteis (VOCs), componentes químicos presentes em diversos tipos de materiais sintéticos ou naturais. Eles se caracterizam por possuírem alta pressão de vapor, o que faz com que se transformem em gás ao entrar em contato com a atmosfera.

Esses VOCs, quando são acumulados em ambientes fechados, podem se misturar com ozônio e formar partículas que se alojam nos pulmões, comprometendo o sistema respiratório.

Na pesquisa, os cientistas responsáveis concluíram que durante a limpeza com produtos contendo monoterpenos, era possível inspirar cerca de 30 a 40 microgramas de VOCs por minuto. Para diminuir os impactos desses compostos, especialistas sugerem que os níveis do ozono em lugares fechados devem se manter abaixo de uma parte por um bilhão.

Além de comprometer o sistema respiratório, a poluição química também oferece outras ameaças à saúde.

Muitas das substâncias químicas são disruptores endócrinos, ou seja, que afetam diretamente o funcionamento do sistema endócrino. Eles atuam no organismo humano por meio da imitação dos hormônios naturais (como o estrogênio). Dessa forma, ocorre um bloqueio da ação hormonal natural e uma alteração dos níveis de hormônios endógenos.

Os poluentes orgânicos também são supostos cancerígenos e podem causar possíveis problemas de fertilidade e resultar no desenvolvimento de defeitos congênitos e abortos.

Fonte: www.ecycle.com.br